As listas de produtos em tendência para vender ficam desatualizadas depressa. Quando um ranking de “produtos do momento” é publicado, os fornecedores já subiram os preços e há centenas de lojas a pagar anúncios para os mesmos artigos. O que dura mais é o método por trás dessas listas: saber onde a procura aparece primeiro e confirmá-la antes de gastar dinheiro em stock.
Aqui ficam as ferramentas gratuitas que mostram onde a procura está a subir e uma forma simples de distinguir uma tendência de uma moda passageira. A segunda parte explica como validar a procura e testar um produto com pouco orçamento. Para ter exemplos concretos a que aplicar o processo, comece pela nossa lista dos 10 produtos mais vendidos em Portugal.
Tendência, moda passageira ou época
Nas primeiras semanas, as três parecem iguais: uma linha a subir. Num gráfico de cinco anos, separam-se.
Uma tendência tem a forma de uma rampa ou de uma escada: o ponto mais baixo de cada ano fica acima do registado no ano anterior. A procura vai continuar lá no ano seguinte, por isso é possível construir um catálogo à volta dela.
Uma moda passageira é um único pico muito alto que regressa mais ou menos ao nível inicial, muitas vezes em poucas semanas. Dá dinheiro, mas sobretudo a quem já tinha stock antes do pico. Se a descobriu nas redes sociais, é provável que já chegue tarde.
Um pico sazonal repete-se nos mesmos meses todos os anos: aquecedores no inverno, presentes em dezembro. É previsível, o que facilita planear o stock e as campanhas.
O erro caro é comprar uma moda no seu ponto máximo. Quando o produto já está em todo o lado, os grossistas subiram os preços e a concorrência já tem mercadoria a caminho. Um exercício útil: pegue no nosso artigo de 2020 sobre os produtos em destaque durante o crescimento do comércio online, abra um gráfico de cinco anos para cada categoria que menciona e veja quais se aguentaram.
Onde procurar produtos em tendência
Os dados da sua própria loja
Quem já vende online tem na loja uma procura que nenhuma ferramenta externa consegue ver. No Jumpseller, os relatórios de Tráfego do Analytics mostram os termos mais procurados e as pesquisas sem resultados. Cada pesquisa sem resultados é um cliente a dizer o que queria e não encontrou. Se usa o Google Analytics, pode montar uma vista semelhante com um relatório de pesquisas.
Veja também o produto que mais cresce (não o que mais vende) e as avaliações em que os clientes pedem um tamanho ou uma cor que não tem.
Google Trends
O Google Trends é gratuito e mostra se o interesse por um termo de pesquisa está a subir, estável ou a cair. Não mostra o volume de pesquisas: os valores vão de 0 a 100, em relação ao ponto mais alto do período escolhido. Estas definições tornam-no útil para a pesquisa de produtos:
- Escolha “Últimos 5 anos” como período. Numa vista de 12 meses, uma moda que já começou a cair ainda pode parecer crescimento.
- Selecione o país onde vende. O interesse muda muito de mercado para mercado e as épocas invertem-se entre hemisférios: quem vende para o Brasil tem o verão em dezembro e janeiro.
- Troque “Pesquisa Web do Google” por “Google Shopping” para ver o interesse de quem procura algo para comprar.
- Leia as consultas relacionadas “Em ascensão”, por baixo do gráfico. Costumam indicar a variante ou o material exato que está a ganhar interesse.
Em janeiro de 2026, a Google lançou uma nova página Explorar que compara mais termos de uma vez e usa o Gemini para sugerir pesquisas relacionadas. Para a usar é preciso iniciar sessão com uma conta Google; a página Explorar clássica continua disponível.
Volume de pesquisa
O Trends indica a direção, mas também é preciso saber a dimensão. O Planeador de palavras-chave do Google Ads estima as pesquisas mensais de um termo e sugere palavras relacionadas (é necessária uma conta Google Ads). Pesquise as palavras que um cliente escreveria, que muitas vezes não coincidem com o nome usado pelo fornecedor. Se quase ninguém procura o produto da forma como o descreveria, vai ter de pagar em anúncios a maior parte das visitas.
Os mais vendidos dos marketplaces
Os marketplaces publicam gratuitamente o que se está a vender. A Amazon não tem loja portuguesa, mas a Amazon.es entrega em Portugal e é uma referência próxima: a lista dos mais vendidos mostra os produtos líderes de cada categoria e o ranking Movers & Shakers mostra os que mais subiram no ranking de vendas face às 24 horas anteriores.
Depois, leia as avaliações de três estrelas dos produtos mais vendidos. As queixas sobre tamanhos ou durabilidade descrevem a versão melhorada que poderia vender, e é essa melhoria que permite cobrar mais do que o anúncio mais barato.
TikTok e redes sociais
As modas passageiras costumam nascer no TikTok e no Instagram, por isso convém usá-los como alerta antecipado e não como razão para comprar stock. O Creative Center do TikTok, gratuito, ordena as hashtags populares por país e por setor (beleza ou animais de estimação, por exemplo) nos últimos 7, 30 ou 90 dias. O topo do ranking está visível sem conta; a lista completa pede um registo gratuito. Abrange 27 países, mas Portugal não está entre eles: Espanha é o mercado mais próximo, a usar com cautela.
Uma hashtag a crescer só prova que as pessoas estão a ver. Para perceber se querem comprar, leia os comentários dos vídeos com mais visualizações. “Onde compro?” ou “link?” indicam intenção de compra; uma conversa cheia de emojis a rir, normalmente não.
Catálogos de fornecedores
Os fornecedores decidem o que produzir meses antes de o produto chegar às lojas, por isso os seus catálogos são um sinal antecipado. Reveja de poucas em poucas semanas as novidades dos catálogos grossistas e de dropshipping. Quando vários fornecedores sem relação entre si acrescentam o mesmo tipo de produto no mesmo trimestre, as fábricas estão a apostar nele. A partir de uma loja Jumpseller pode explorar catálogos de fornecedores com aplicações como o Syncee ou o DSers, para o AliExpress. Se preferir não reunir estes sinais à mão, bases de dados pagas como o Exploding Topics juntam-nos num só sítio.
Como validar a procura antes de comprar stock
Um produto pode estar em tendência e, mesmo assim, ser um mau negócio. Comece por procurar coincidência entre fontes: uma curva de cinco anos a subir no Google Trends, movimento nos rankings dos marketplaces e comentários a perguntar onde comprar. Um sinal isolado é um palpite. Quando dois ou três apontam no mesmo sentido, o produto merece um teste.
Depois, submeta-o a cinco filtros. Um produto que falha dois deles raramente justifica o dinheiro que ficaria parado em stock, por melhor que a tendência pareça.
- Margem. Consegue vendê-lo por cerca de três vezes o custo colocado no destino (produto, transporte e direitos de importação)? Abaixo disso, um aumento do custo dos anúncios pode eliminar o lucro. O nosso guia para definir o preço dos seus produtos explica como fazer as contas.
- Envio. Produtos pequenos, leves e que não partem são baratos de enviar e geram poucas reclamações. Os volumosos ou frágeis comem margem em cada encomenda.
- Devoluções. Tamanhos de roupa, cores que parecem diferentes no ecrã e tudo o que é elétrico são devolvidos com mais frequência. Um produto com muitas devoluções precisa de uma margem maior para as cobrir.
- Regulamentação. Cosméticos, alimentos, suplementos, artigos para crianças e eletrónica têm regras próprias na União Europeia: brinquedos e aparelhos elétricos precisam de marcação CE, e os cosméticos de uma pessoa responsável na UE e de notificação no portal europeu CPNP. Confirme tudo antes de encomendar, e não quando a mercadoria ficar retida na alfândega.
- Recompra. Consumíveis que as pessoas voltam a comprar, como café ou comida para animais, custam muito menos a vender da segunda vez, porque o cliente já conhece a loja.
Teste em pequeno antes de se comprometer
Um teste é uma despesa pequena e planeada que o protege de uma grande. O nosso guia sobre como testar um produto antes de o lançar aprofunda o tema. Com produtos em tendência, estes passos são os que mais contam:
- Publique antes de ter stock. Crie a página do produto com um prazo de entrega honesto, ou deixe o stock a zero e ative as notificações de reposição de stock para que os visitantes deixem o email. O número de inscrições mede a procura do seu próprio tráfego.
- Compre a menor quantidade viável. Uma encomenda de amostra que esgota ensina mais do que um contentor parado no armazém.
- Escreva primeiro a regra de decisão. Defina que resultado significa “encomendo mais” e qual significa “paro”, por exemplo um número mínimo de vendas ou um custo máximo por venda. Sem um número fixado à partida, é fácil manter um produto fraco só porque se gosta dele.
- Dê-lhe um prazo real. Entre duas e quatro semanas com um orçamento pequeno num único canal chega para aprender e sai barato errar.
- Avalie pela margem e não pela faturação. Um produto que vende muito com prejuízo esgota a tesouraria mais depressa do que um que não vende.
Se o que quer validar é uma ideia de negócio completa e não apenas um produto, siga estes 7 passos para a validação de negócios.
Transforme isto numa rotina mensal
A pesquisa de produtos funciona melhor como hábito. Uma vez por mês, reveja as pesquisas sem resultados e as avaliações novas e, depois, consulte o Google Trends e os rankings dos marketplaces nas suas categorias. Mantenha uma lista curta de cerca de cinco candidatos, passe-os pelos cinco filtros e teste um de cada vez.
Tenha também o calendário comercial da sua loja em conta ao planear os testes. Um produto que está em tendência e em época ao mesmo tempo soma os dois impulsos, por isso um artigo de presente testado em outubro ainda tem margem para crescer antes da Black Friday e do Natal. Se ainda não tem uma loja online para fazer estes testes, pode começar um teste gratuito no Jumpseller e criar a página do seu primeiro produto de teste.




